Em busca de um objeto permanentemente selvagem: Do exercício etnográfico em monografias indígenas

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Acompanhando, como orientadora, a realização de monografias por discentes indígenas no terceiro grau, noto que o emprego de metodologias antropológicas, em especial a etnografia, motiva a reflexão interna aos grupos indígenas. E ainda que os resultados da pesquisa, bem representam o cotidiano de seus realizadores, famílias, etnias e localidades.

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  • Editora: Brazil Publishing
  • Idioma: Português
  • Ano: 2020
  • Tamanho: 16x23 cm
  • Páginas: 98
  • ISBN: 978-65-5861-140-0
  • eISBN: 978-65-5861-143-1
  • DOI: 10.31012/978-65-5861-143-1

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Descrição

Ainda são desconhecidos os efeitos da escolarização formal, ou mesmo diferenciada, sobre os conhecimentos indígenas. A escola e a educação escolar indígena são, hoje, ditas interculturais. Zona dispersa e limítrofe entre aquilo que se considera conhecimento “ocidental” e “indígena”. Expressando inúmeras tensões, para além da semântica e do discurso, em que o professor é tido por mediador. Enquanto “mediadores”, os professores e professoras indígenas, sobretudo os da família linguística Pano, readéquam e realinham seus parâmetros e conceitos, ao retratarem-se ou mesmo, ao expressarem seus conhecimentos. Ao expressarem, absorvem e assim, remodelam e se mantém vivos, em se transformando. Em termos dos sistemas terapêuticos e das especialidades, como tecer algodão e cozinhar cerâmica, há repasses cotidianos que são constantes. E dão-se ao longo da vida e da trajetória de quem se torna mestre na maturidade. Trata-se do aprendiz que passa a vida aprendendo; em ação. Os aprendizados referentes aos recursos extrativos e agrícolas, ainda intensificam-se sazonalmente, de acordo com o calendário de atividades florestal e agrícola regional. No entanto, as ações em educação escolar e saúde indígena ainda não reverberam um diálogo equilibrado entre as formas próprias e àquelas recém-adquiridas; através da escola ou e de um sistema de saúde institucionalizados. Encontros e desencontros na comunicação ocasionam tratamentos e serviços inadequados. Categorias são necessariamente traduzidas, mas, apenas pelos indígenas O pensamento indígena se mostra generoso, ao fazer uso de conceitos alheios, para apoiar as explicações próprias. Mesmo assim, as relações contemporâneas envolvendo representantes indígenas nas políticas governamentais e sua realização pela administração pública, em distintos níveis, não representa incremento. Por vezes, contribui para a dependência ou colapso. Assim também, as políticas interculturais “integram”, promovendo ainda mais desigualdade.