Imigrantes africanos muçulmanos na indústria avícola halal brasileira

A partir de R$29,00

Este livro narra a trajetória de um grupo de imigrantes africanos e muçulmanos empregado como abatedores de aves no Brasil. O pertencimento cultural e os traumas ligados às suas trajetórias, antes visto como um fardo, é simbolicamente capitalizado e revendido no mercado mundial de alimentos.

Limpar

  • Editora: Brazil Publishing
  • Idioma: Português
  • Ano: 2020
  • Tamanho: 16x23 cm
  • Páginas: 204
  • ISBN: 978-65-5016-317-4
  • eISBN: 978-65-5016-318-1
  • DOI: 10.31012/ 978-65-5016-318-1

Autor(es):

Organizador(es):

Descrição

É notório que o deslocamento de pessoas, a migração e o refúgio sejam assuntos de primeira importância para o século XXI, quando o capitalismo global passa por uma crise com desmanches nos mercados de trabalho nacionais, com a proliferação da xenofobia e de aparatos globais de controle migratório.

A partir desse cenário, este livro apresenta a trajetória de um grupo de imigrantes africanos e muçulmanos apropriada pela indústria avícola instalada no Brasil, especializada na exportação de carnes com a certificação religiosa, “halal”, para países muçulmanos da África e do Oriente Médio.

O pertencimento cultural e os traumas ligados às trajetórias, que em outro contexto poderia ser visto como um fardo ou um entrave à socialização, para a indústria de aves brasileira é antes de tudo um bem simbólico a ser capitalizado sem escrúpulos no mercado mundial de alimentos. Conhecemos assim contradições sociais que aparecem como problemas laborais e jurídicos relacionados ao acolhimento imigratório no Brasil.

A importância deste livro está no fato de não se deixar aprisionar à proposição de soluções imediatas que buscam apenas remediar, ignorando as raízes do problema. Antes, procura os fundamentos sociais e históricos das contradições e propõe ir além da ladainha xenófoba e obscurantista, cujo enfrentamento depende do entendimento da imigração contemporânea como fenômeno do colapso do capitalismo. Assim não se limita a buscar a razão do fracasso das economias nacionais na “invasão por estrangeiros”. A causa não parte de bárbaros, mas deve ser procurada na civilização da economia do mercado que beira o seu fim.

Heinz Dieter Heidemann